 Fabio Bito
Caraciolo |
Primavera dos Livros, no Centro Cultural São Paulo
- teve até gente pendurada para assistir ao debate entre as blogueiras. Veja
mais imagens no Fotoblog |
A principal conclusão do debate "Blog e Literatura - Blog é Literatura?",
durante a Primavera dos Livros, no último sábado, em São Paulo, foi quanto à
forma de elaboração dos textos para os meios eletrônico e papel. Que os dois são
literatura, não restou dúvida.
Participaram da conversa as blogueiras Bruna
Surfistinha, Rosana Hermann, Índigo e Ivana Arruda
Leite, com moderação do jornalista e escritor Marcelo Duarte.
Generalizando, textos rápidos vão para o blog e aqueles mais trabalhados, que
passam dias e semanas em preparação, são reservados para publicação em
livros.
Apesar do consenso, a jornalista Rosana Hermann, do "Querido Leitor", vê uma
distinção dentro do formato para internet: quando publica, enlouquecidamente,
mais de vinte posts por dia, é blog. Quando se senta, tranqüila, e pensa na
crônica que vai mandar para o "Blônicas",
é literatura.
A escritora Ivana Arruda Leite, que "precisa de silêncio" para sua
literatura, começou resistindo aos blogs, mas cedeu por insistência dos
leitores. Hoje diz que a ferramenta é um alucinógeno e, em alguns momentos de
"ira" com as editoras, chega a publicar textos inéditos, daqueles que seriam
guardados para os livros, em seu "Doidivana".
O silêncio pretendido por Ivana é quebrado, nos blogs, pela participação
direta dos leitores através dos comentários. Índigo, escritora que atualmente
mantém o "Diário da Odalisca", abordou a compensação afetiva dessa participação.
Um pequeno conto, escrito em cinco minutos, pode atrair milhares de leitores e
gerar comentários sobre como aquele texto "mudou o dia do leitor", quase no
limite da auto-ajuda. Já um livro, que pode demorar anos para ser gerado,
normalmente é comentado em apenas três palavras: "adorei seu livro".
Para Bruna Surfistinha, pseudônimo de Raquel Pacheco quando era garota de
programa, auto-ajuda é o foco de seu blog e livros -o segundo título deve
ser lançado nos próximos meses- acreditando que o relato de suas experiências
sexuais sirva para quebrar tabus e melhorar a vida das pessoas.
Independentemente do tempo dedicado ou do estilo de cada um, os blogs
também são vistos pelas participantes da mesa como vitrine para suas atividades
principais. Através deles ganham maior visibilidade e ampliam seu público, como
no caso de Índigo, que publica livros infanto-juvenis e tem seus blogs visitados
principalmente por adultos, ou como Raquel Pacheco que, a partir do blog, já
vendeu mais de 140 mil cópias de seu "O Doce Veneno do Escorpião". E todas
esperam que o próximo passo seja a profissionalização dos blogs, para que, além
de vitrine, também possam ter ali o caixa de seus trabalhos.
Leia mais sobre o debate: